Inflação no Brasil: séries mensais
Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa
Aqui colocamos à disposição alguns dos índices mais usados para deflacionar preços: INPC e IPCA do IBGE, IGP-DI, IPA-DI, IPC e INCC da FGV, ICV do Dieese e IPC da FIPE. Incluímos também séries da taxa de câmbio do dólar. Última atualização: 4 de abril de 2002.
Orientações gerais
Aqui colocamos à disposição alguns dos índices mais usados para deflacionar preços: INPC e IPCA do IBGE, IGP-DI, IPA-DI, IPC e INCC da FGV, ICV do Dieese e IPC da FIPE. Incluímos também séries da taxa de câmbio do dólar, referentes ao último fechamento da taxa de câmbio comercial (oficial) de cada mês e às médias dos fechamentos diários (nos dias úteis). Os dois arquivos que contêm os dados estão em Excel 5.0 (*.xls), uma planilha eletrônica.
Note que, devido à alta inflação no Brasil, os índices de anos e décadas anteriores são infinitesimais, de forma que os expressamos em notação científica. No caso do dólar, as taxas de câmbio estão sempre expressas em reais, mesmo quando a moeda vigente era outra, de forma que os valores mais recuados também são infinitesimais.
Primeiro arquivo: índices de uso geral
O primeiro arquivo contém números índices e variações mensais para:
Note que apenas o INPC, o IPCA e o IPC são índices de custo de vida e procuram expressar o que mais usualmente se chama de inflação, isto é, a alta dos preços dos bens de consumo das classes trabalhadoras. O IPA é um índice para preços no atacado, que reflete principalmente a evolução média dos custos das empresas com matérias-primas, serviços e bens de capital. O INCC é um índice de custos específico do setor de construção civil. O IGP é uma média ponderada entre IPC (30%), IPA (60%) e INCC (10%), que reflete (grosseiramente) a evolução dos custos totais do setor empresarial no Brasil (admitindo-se que a longo prazo, a evolução dos salários acompanha aproximadamente a do custo de vida).
Incluímos as taxas de câmbio por que, muitas vezes, é útil comparar a evolução da taxa de câmbio com a da inflação. Note, porém, que a taxa de câmbio não é um indicador de inflação: por um lado, o dólar tem sua própria inflação e, por outro, a taxa de câmbio muitas vezes flutua em função da escassez ou abundância relativa de divisas, que não têm relação direta com a evolução dos preços nos dois países.
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Segundo arquivo: índices locais de longo prazo
O segundo arquivo contém números índices e variações mensais para:
Enquanto o IPCA, o INPC e o atual IPC da FGV são calculados, em princípio, para todo o país (embora cubram, na realidade, apenas algumas das principais metrópoles) estes índices são específicos de determinadas cidades. São, porém, os mais antigos índices de inflação elaborados a partir de levantamentos sistemáticos, o que os torna indispensáveis, apesar dessa limitação, para estudos de preços e salários a longo prazo.
Vale notar que, no longo prazo, acumulou-se uma enorme divergência entre os três cálculos. De dezembro/1958 a dezembro/2000, os preços subiram 120,95 trilhões de vezes segundo a FIPE, 334,17 trilhões segundo a FGV e 526,30 trilhões segundo o Dieese, uma divergência de até 335%! Qual desses índices é o mais "correto"? Particularmente, prefiro fazer cálculos de longo prazo com o IPC-RJ da FGV. Seu comportamento parece-me mais coerente com o dos demais índices de preços, inclusive internacionais, apesar de ter sido sabidamente manipulado durante a ditadura militar (quando registrava preços tabelados pelo governo e não os efetivamente praticados no mercado) e adotar uma metodologia que considero discutível no que se refere a alimentos.
O índice da FIPE é sistematicamente inferior aos demais devido à adoção de uma metodologia que reduz a inflação supondo que o consumidor sistematicamente diminui o consumo de produtos cujos preços aumentaram mais e aumenta o consumo daqueles cujos preços subiram menos, uma hipótese discutível. A FGV adota uma hipótese semelhante (mas com substituições menos drásticas) apenas para os alimentos e supõe uma cesta de consumo estável quanto aos demais itens e o Dieese usa uma cesta de consumo estável (embora sujeita a revisões ocasionais, quando se faz novos levantamentos dos hábitos de consumo efetivos).
São ideológicas as razões de fundo para essa divergência entre os índices. Enquanto o Dieese – Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos e Sócio-Econômicos é um órgão financiado por sindicatos de trabalhadores, a FGV dependeu do governo federal durante grande parte da sua história (até a década de 80, quando começou a perder o caráter oficial e a trabalhar principalmente para o setor privado) e a FIPE sempre esteve ligada aos interesses de empresários paulistas. Cada um deles buscou uma metodologia que, sem deixar de ser tecnicamente defensável, favorece mais os interesses de seus patrocinadores. Não que isso seja sempre possível: o Dieese, por exemplo, chegou a perder recursos decisivos do poderoso Sindicato dos Metalúrgicos da Cidade de São Paulo em meados da década de 90 por que, durante algum tempo, seu índice acusou taxas de inflação menores que os índices oficiais.
A divergência mostra como é importante compreender que a economia não é uma ciência exata. Índices como os de inflação dependem de julgamentos em parte políticos e em parte até puramente subjetivos sobre o que significa uma cesta de consumo, um padrão de vida ou a satisfação das necessidades do consumidor. As fórmulas econométricas mais abstrusas embutem ideologias que se tornam tanto mais enganosas quanto menos forem reconhecidas pelos que as usam, ou que usam seus resultados sem questionar como foram obtidos.
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