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O Capital em reais

Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa

Como traduzir os salários e preços mencionados em O Capital de Karl Marx em moeda de hoje.


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  Indicadores econômicos


Introdução

Quando Karl Marx escreveu O Capital, não pretendia ser lido por acadêmicos pedantes como José Arthur Gianotti ou Fernando Henrique Cardoso e sim por operários em busca de esclarecimento sobre suas condições de vida. Como diz Marshall Berman em Aventuras no Marxismo, “Marx é um dos escritores mais comunicativos que já existiram; mesmo suas idéias mais complexas são apresentadas de forma vívida e dramática; Marx não escrevia numa língua esotérica e particular – como aqueles que escrevem a seu respeito tendem a fazer –, mas como um homem que fala a todos os homens.”

Hoje, porém, um líder operário – ou mesmo um intelectual – pode ter muita dificuldade em desbravar mesmo os primeiros capítulos dessa obra indispensável. Não é que as pessoas tenham se tornado menos inteligentes no último século e meio: é que lhes faltam referências históricas, intelectuais e conjunturais que eram bem mais amplamente conhecidas na época em que o livro foi publicado. Acontecimentos políticos, romances, ensaios filosóficos e frases feitas que eram populares naquela época estão hoje esquecidos e é difícil recuperar inteiramente o significado de várias passagens importantes sem fazer um estudo específico da civilização britânica dos anos 1860 ou adquirir uma cultura geral muito ampla, capaz de abarcar tais detalhes.

Não temos a pretensão de resolver todos esses problemas, mas oferecemos aqui uma contribuição modesta para resolver uma dificuldade menor e mais específica: preços e salários. Todo leitor moderno de O Capital – principalmente em países que adotaram o sistema métrico decimal há mais tempo – atola nas freqüentes referências a libras, xelins, pence etc., sendo tentado a simplesmente ignorar essas passagens. Desperdiça com isso uma parte importante do esforço de Marx, pois essas referências não estão aí apenas para ilustrar uma teoria abstrata, mas para descrever de forma detalhada e dramática as condições de vida e trabalho do capitalismo vitoriano.

Para ajudar a superar essa dificuldade, procuramos aqui traduzir as quantias mencionadas nessa obra em moeda de hoje. O método adotado está explicado em O valor do dinheiro, neste mesmo sítio. Introduzimos uma unidade de medida do poder aquisitivo que chamaremos de Dinheiro, representada pelo símbolo Ð. Por definição, Ð 1,00 (um dinheiro) é igual ao poder aquisitivo, para o consumidor norte-americano, de um dólar nos EUA no final de dezembro de 2000, que equivale aproximadamente ao poder aquisitivo, para o consumidor brasileiro, de um real no Brasil de dezembro de 2001. Em março de 2002, devido à inflação dos meses seguintes, Ð 1,00 = R$ 1,008.

A edição a que nos referimos para citar as páginas é a da coleção Os Economistas da Abril Cultural (a primeira edição, de capa dura). Bibliograficamente: Marx, KarlO capital: crítica da economia política, São Paulo: Abril Cultural, 1983. Apesar de revisada por Paul Singer, a tradução contém alguns erros e omissões, ao menos no que se refere a números. Procuramos corrigi-los onde necessário.


Volume I, tomo 1

Volume I, tomo 2 – pgs. 1-199

Volume I, tomo 2 – pgs. 200-239

Volume I, tomo 2 – pgs. 340-287